A
problemática das pessoas com surdez e a educação especializada precisa ser
compreendida do ponto de vista educacional e também em relação ao preconceito. Fala-se
muito em mudanças e melhorias no processo de inclusão, em novas metodologias,
mas a discussão sobre o comportamento dos professores e da comunidade também precisa
ser levada em consideração. Muitos erros ainda são cometidos pela falta de
compreensão da situação desses alunos, o que resulta num falso entendimento das
potencialidades desses alunos.
Não
podemos falar de atendimento educacional especializado sem falar de
planejamento e método. É preciso adequar o ambiente educacional de modo que o
aluno com surdez possa desenvolver suas potencialidades plenamente, enquanto
ser humano com habilidades, talentos e capacidades. É importante pensarmos em
educação especializada desde a infância, proporcionando as pessoas com surdez o
direito a educação e o poder de exercer sua cidadania de forma mais plena.
Quando
falamos em inclusão significa dar a devida importância para métodos e ações que
envolvam todos os alunos da escola comum e que envolva os alunos com surdez.
Muito mais que o aprendizado de uma língua, precisamos inserir no nosso
entendimento e nos planejamentos educacionais um ambiente estimulante em todos
os aspectos para o aluno com surdez, onde haja envolvimento o suficiente para desafiá-los
constantemente, buscando sempre um sentido de despertar da capacidade destes
alunos. Sempre compreendendo que apenas o uso de uma língua não é sinônimo de
bom desempenho escolar nem de aprendizado pedagógico. Incluir significa
envolver, permitir a participação, facilitar os processos de aprendizado, e
isso só será possível em um ambiente escolar que proporcione isto. A proposta
inclusiva para o Atendimento Educacional especializado voltado para as pessoas
com surdez, envolve três momentos pedagógicos a serem considerados: O Momento
pedagógico em Libras, onde um professor preferencialmente surdo aborda todos os
conteúdos curriculares diariamente; O momento pedagógico de Libras, onde o professor
irá desenvolver as especificidades da linguagem de sinais, facilitando o
aprendizado de termos científicos e aprofundando o conhecimento do aluno nesta
língua; e o terceiro momento pedagógico que corresponde ao ensino da língua portuguesa,
onde o aluno com surdez aprende os pormenores desta língua baseado em um diagnóstico
previamente feito do conhecimento que o aluno possui desta linguagem.
A
proposta é um desafio para todos os envolvidos e exige coerência entre o método
e sua aplicação. Afinal, estamos lidando com pessoas e suas múltiplas facetas.
Tratar o aluno com surdez sem preconceitos e buscando despertar nele próprio suas
potencialidades, deve ser o primeiro passo para considerarmos um Atendimento Educacional
Especializado verdadeiramente inclusivo.
REFERÊNCIA
DAMÁZIO, Mirlene F. M.;
FERREIRA, Josimário de P. Educação Escolar de Pessoas com Surdez -
Atendimento Educacional Especializado em Construção. In: Revista
Inclusão: R. Educ. esp., Brasília, MEC, v. 5, n. 1, jan/jul. 2010 (p. 46-57).
DAMÁZIO.Mirlene Ferreira Macedo. Educação Escolar de Pessoa com
Surdez: uma proposta inclusiva. Campinas: Universidade Estadual de
Campinas, 2005. 117 p. Tese de Doutorado.