domingo, 16 de março de 2014

Pessoas com Surdez: Educação Especializada e Inclusão.


A problemática das pessoas com surdez e a educação especializada precisa ser compreendida do ponto de vista educacional e também em relação ao preconceito. Fala-se muito em mudanças e melhorias no processo de inclusão, em novas metodologias, mas a discussão sobre o comportamento dos professores e da comunidade também precisa ser levada em consideração. Muitos erros ainda são cometidos pela falta de compreensão da situação desses alunos, o que resulta num falso entendimento das potencialidades desses alunos.

Não podemos falar de atendimento educacional especializado sem falar de planejamento e método. É preciso adequar o ambiente educacional de modo que o aluno com surdez possa desenvolver suas potencialidades plenamente, enquanto ser humano com habilidades, talentos e capacidades. É importante pensarmos em educação especializada desde a infância, proporcionando as pessoas com surdez o direito a educação e o poder de exercer sua cidadania de forma mais plena.

Quando falamos em inclusão significa dar a devida importância para métodos e ações que envolvam todos os alunos da escola comum e que envolva os alunos com surdez. Muito mais que o aprendizado de uma língua, precisamos inserir no nosso entendimento e nos planejamentos educacionais um ambiente estimulante em todos os aspectos para o aluno com surdez, onde haja envolvimento o suficiente para desafiá-los constantemente, buscando sempre um sentido de despertar da capacidade destes alunos. Sempre compreendendo que apenas o uso de uma língua não é sinônimo de bom desempenho escolar nem de aprendizado pedagógico. Incluir significa envolver, permitir a participação, facilitar os processos de aprendizado, e isso só será possível em um ambiente escolar que proporcione isto. A proposta inclusiva para o Atendimento Educacional especializado voltado para as pessoas com surdez, envolve três momentos pedagógicos a serem considerados: O Momento pedagógico em Libras, onde um professor preferencialmente surdo aborda todos os conteúdos curriculares diariamente; O momento pedagógico de Libras, onde o professor irá desenvolver as especificidades da linguagem de sinais, facilitando o aprendizado de termos científicos e aprofundando o conhecimento do aluno nesta língua; e o terceiro momento pedagógico que corresponde ao ensino da língua portuguesa, onde o aluno com surdez aprende os pormenores desta língua baseado em um diagnóstico previamente feito do conhecimento que o aluno possui desta linguagem.

A proposta é um desafio para todos os envolvidos e exige coerência entre o método e sua aplicação. Afinal, estamos lidando com pessoas e suas múltiplas facetas. Tratar o aluno com surdez sem preconceitos e buscando despertar nele próprio suas potencialidades, deve ser o primeiro passo para considerarmos um Atendimento Educacional Especializado verdadeiramente inclusivo.

REFERÊNCIA

DAMÁZIO, Mirlene F. M.; FERREIRA, Josimário de P. Educação Escolar de Pessoas com Surdez - Atendimento Educacional Especializado em Construção. In: Revista Inclusão: R. Educ. esp., Brasília, MEC, v. 5, n. 1, jan/jul. 2010 (p. 46-57).

 

­­­­DAMÁZIO.Mirlene Ferreira Macedo. Educação Escolar de Pessoa com Surdez: uma proposta inclusiva. Campinas: Universidade Estadual de Campinas, 2005. 117 p. Tese de Doutorado.

 

 

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