Eu sempre achei que Surdocegueira e Deficiência Múltipla fosse a mesma
coisa, depois de fazer um estudo mais detalhado vi que, na opinião de vários
autores, apesar de muita semelhança entre as duas, que cada uma tem sua
particularidade.
SURDOCEGUEIRA: é uma deficiência única em que o indivíduo
apresenta ao mesmo tempo perda da visão e da audição. É considerado surdocego a
pessoa que apresenta estas duas limitações, independente do grau das perdas
auditiva e visual. A surdocegueira pode ser congênita ou adquirida e não é
deficiência múltipla. Segundo a autora Shirley(2011), as pessoas surdocegas estão divididas em
quatro categorias: pessoas que eram cegas e se tornaram surdas; que eram surdos
e se tornaram cegos; pessoas que se tornaram surdocegos; pessoas que nasceram
surdocegos, ou se tornaram surdocegos antes de terem aprendido alguma
linguagem.
Uma
pessoa com D.M.U. apresenta mais de
uma deficiência, “é uma condição heterogênea que identifica diferentes grupos
de pessoas, revelando associações diversas que afetam, mais ou menos
intensamente, o funcionamento individual e o relacionamento social”(MEC/SEESP,
2002) As pessoas com deficiência múltipla apresentam características
específicas, individuais, singulares e não apresentam necessariamente os mesmos
tipos de deficiência, podem apresentar cegueira e deficiência mental;
deficiência auditiva e deficiência mental; deficiência auditiva e autismo e
outros.
De acordo com Nunes.(2002), as
necessidades básicas podem ser agrupadas em três blocos:
Necessidades Físicas e Médicas:
A mais frequente causa da deficiência múltipla é a Paralisia Cerebral,
que compromete a postura e a mobilidade. Os movimentos voluntários são bastante
limitados, problemas respiratório, pulmonar, com deglutição difícil, saúde
mais frágil com pouca resistência física.
Emocionalmente
há necessidade de: afeto, atenção, necessidade de interagir com o meio,
desenvolver relações sociais efetivos, estabelecer relações de confiança.
Necessidades
Educativas:
Limitações
no acesso ao ambiente, dificuldades em dirigir, atenção para estímulos
relevantes, dificuldades na interpretação da informação.
As pessoas com surdocegueira e com DMU que não
apresenta graves problemas motores precisam aprender a usar as duas mãos. Porém,
devem-se disponibilizar recursos para favorecer a evolução da aprendizagem do aluno,
visto que ele possui limitações sensoriais (visual e auditiva).
Estratégias utilizadas
para a aquisição de comunicação
Para que
aconteça a aquisição de comunicação na criança com deficiências múltiplas é
preciso levar em conta o interesse da criança, conhecer realmente a necessidade
da criança, saber estabelecer um tempo de espera nas respostas, interagir com
outros grupos, melhorar a comunicação não simbólica. Segundo Nunes. (2002), no
trabalho com pessoas com deficiência múltiplas é fundamental a colaboração da
família e de todos os profissionais que compartilham os mesmos objetivos, todos
devem trabalhar para que o aluno se torne o mais independente possível. O
professor terá que ampliar o conhecimento do mundo deste aluno podendo proporcionar
autonomia e independência. É muito importante a educação postural da pessoa com
DMU para que ela possa usar os gestos e movimentos para comunicar-se. mostrar figuras de animais para que os alunos
possam manipulá-las. O professor mostras as figuras para o aluno, imitando os
animais para o aluno descobrir qual o animal está sendo mostrado.
Para a criança com Surdocegueira precisa da mediação de comunicação para poder receber, interpretar e conhecer o que lhe cerca. Seu conhecimento do mundo se faz através dos usos dos canais sensoriais proximais como: tato, olfato, paladar, cinestésico, proprioceptivo e vestibular.
A Surdocegueira é uma deficiência única e especial em que a pessoa necessita de métodos de comunicação especiais, para viver e desempenhar suas funções e ter uma melhor qualidade de vida. É utilizado como estratégia de comunicação o uso de objetos reais onde se estabelece uma comunicação para a criança compreender, e se expressar, deve-se criar uma relação de confiança e segurança criando rotinas diárias e sequêncial. Desenvolver atividades com a utilização de massas de modelagem, castelinho na areia, pisar descalço na areia. São ótimas estratégias para trabalhar o tato dessa criança.
REFERÊNCIAS
NUNES, C. Crianças
e Jovens com multideficiência e surdocegueira: contributos para o sistema
educativo, Ministério da Educação, Portugal, 2002.
AVALIAÇÃO e intervenção em
multideficiência. Coleção Apoios
Educativos. Portugal: Ministério da Educação,2004, 217 p
MAIA, S. R.; GIACOMINI, S. R. M. & ARÁOZ, S. M. M. Desenvolvimento
da aprendizagem em crianças comdeficiência múltipla sensorial. In: COSTA, Maria
da Piedade Resende da (org.).
Múltipla
deficiência: Pesquisa &Intervenção. São Carlos: Pedro & João Editores, 2009 (p. 49 - 64). Coleção; A Educação Especial na Perspectiva da
Inclusão Escolar; Ministério da Educação ( MEC
)Secretaria de Educação Especial Universidade Federal do Ceará.



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