domingo, 13 de julho de 2014

Modelo dos Modelos para Refletir


Modelo dos modelos para refletir

 

Zélia Maria da Silva

 

       Se adentrarmos na história da inclusão e exclusão, percebemos com facilidade que se trata de um fator social presente desde os tempos mais remotos. Segundo a história da humanidade, registros mostram que nas civilizações mais antigas, por exemplo, o acolhimento ou o não acolhimento da diversidade sempre foi um assunto ditado pelas normas e leis de cada  civilização.

          O Texto “modelo dos modelos” de Italo Calvino tem por objetivo levar o professor a refletir e  construir um saber e uma prática sobre o Atendimento Educacional Especializado- AEE

Houve na vida do senhor Palomar uma época em que sua regra era esta: primeiro, construir um modelo na mente, o mais perfeito, lógico, geométrico possível; segundo, verificar se tal modelo se adapta aos casos práticos observáveis na experiência; terceiro, proceder às correções necessárias para que modelo e realidade coincidam

A regra do senhor Palomar foi aos poucos se modificando: agora já desejava uma grande variedade de modelos, se possível transformáveis uns nos outros segundo um procedimento combinatório, para encontrar aquele que se adaptasse melhor a uma realidade que por sua vez fosse feita de tantas realidades distintas, no tempo e no espaço. [...] Analisando assim as coisas, o modelo dos modelos almejado por Palomar deverá servir para obter modelos transparentes, diáfanos, sutis como teias de aranha; talvez até mesmo para dissolver os modelos, ou até mesmo para dissolver-se a si próprio, neste sentido, o Atendimento Educacional especializado não é uma receita de bolo inalterada. É notável as profundas modificações que ocorrem desde 1970, na concepção da deficiência e da Educação Especial. Estas  modificações já configurada em leis e decretos-lei, somente será uma realidade positiva se as pessoas implicadas neste tipo de educação estiverem conscientes das grandes possibilidades das crianças com Necessidades Educativas Especiais (NEE) em atingir os mesmo objetivos propostos para todos os alunos das escolas normais. Além disso, o sistema educativo deve dispor dos recursos necessários (Lei Orgânica de Ordenação Geral do Sistema Educativo, artigo 36.1). O AEE é organizado para suprir as necessidades de acesso ao conhecimento e à participação dos alunos com deficiência e dos demais que são público alvo da Educação Especial, nas turmas das escolas comuns; constitui oferta obrigatória dos sistemas de ensino, embora participar do AEE seja uma decisão do aluno e/ou de seus pais / responsáveis. Conteúdos específicos da formação dos professores de AEE.  

         O AEE complementa e/ou suplementa a formação do aluno com vistas à autonomia e independência na escola comum e fora dela. Apóia o desenvolvimento do aluno com deficiência, transtornos gerais de desenvolvimento e altas habilidades; Disponibiliza o ensino de linguagens e de códigos específicos de comunicação e sinalização; Oferece tecnologia assistiva (TA); Adequa e produz materiais didáticos e pedagógicos, tendo em vista as necessidades específicas dos alunos; Acompanha o uso desses materiais e recursos em sala de aula, sem, contudo, interferir no ensino dos conteúdos curriculares. E que é realizado no período inverso ao da classe comum frequentada pelo aluno; para maior benefício do aluno, esse serviço deve ser oferecido preferencialmente na própria escola que esse aluno frequenta; há ainda a possibilidade de o AEE ser realizado em  outra escola próxima ou em centros especializados em AEE, enquanto cada escola não tem o seu próprio serviço de AEE.

 

 

 REFERÊNCIAS

 

CALVINO, Italo: Texto “O modelo dos modelos”. Atendimento Educacional Especializado e Metodologia da Pesquisa.

HERRERO, M. Jesús Presentación Educação de alunos com Necessidades Especiais.

 

sábado, 24 de maio de 2014

Recursos e Estratégias para alunos com TGD


Curso de Especialização lato-sensu de Formação de Professores para o Atendimento Educacional Especializado – AEE
Disciplina de AEE para Alunos com Transtorno Global do Desenvolvimento
Turma: T16a – AM Manaus

Cursista: Zélia Maria da Silva

 
Recurso e Estratégias para alunos com TGD

 

De acordo com o estudo realizado nesta pesquisa, o desenvolvimento humano acontece através da comunicação e esta ocorre com a interação entre as pessoas. Segundo a visão sócio-histórica o desenvolvimento é um processo social que se desenvolve ao longo da vida e por meio do qual o sistema de símbolos é adquirido em um longo processo ontológico de aprendizagem cultural.
 
Percebe-se que nos casos de Transtorno do Espectro Autista, há falhas na interação nos sujeitos, causando déficits de comunicação. Nestes casos, é preciso encontrar uma forma de apoiar seu desenvolvimento comunicacional, a Comunicação Alternativa se apresenta justamente para esta utilização.

A criança com TGD apresenta especificidade nas áreas da linguagem, do comportamento e da Interação social, necessitando de alguns cuidados que favoreçam a construção de habilidades e de competências, e, também de estratégias para favorecer um bom ambiente escolar, que permita o seu desenvolvimento.

A aprendizagem de Autistas se dá através de uma abordagem vivencial.  Todos os momentos e ambientes são utilizados como objetos de estudo. Na sala de aula, no parque, em casa, na  sua própria casa. Devemos  utilizar todas as estratégias em beneficio ao nosso  aprendizado. Na Escola primeiro exploramos  a importância ao que mais agrada a criança para se iniciar um trabalho de adaptação/familiarização professor e aluno.

As estratégias e recursos de baixa tecnologia tem a finalidade de apoiar os alunos com TGD em seu desenvolvimento de habilidades comunicacionais e sua interação social.

Mostraremos algumas atividades e estratégias de recurso de baixa tecnologia que ajudam estimular vários fatores como: Socialização, Linguagem, Cognitivo e a Motricidade do aluno com TGD.  Estes recurso podem ser aplicados com pessoas TGD de 03 a 15 anos de idade em sala de aula, AEE, bibliotecas, em laboratórios de informática ou até mesmo em uma área de lazer junto as aulas de Educação Física. Tanto os professores de sala de aula como também os professores de AEE podem contribuírem  para o desenvolvimento do aluno com as atividades selecionadas.

 

Jogos e Atividades para alunos com TGD

 

 Atividade 1: - A professora mostra as figura dos cartões perguntando para o aluno... Como estamos hoje?  Estamos feliz?,  Estamos  triste?  Estamos com raiva? Fazendo essas perguntas e mostrando os cartões com as figuras, os alunos irão demonstrar como estarão se sentindo imitando os gestos da figura.


 Atividade 2:  Descrição de imagem
A imagem apresenta vários cartões de comunicação com símbolos gráficos representativos de mensagens. Os cartões estão organizados por categorias de símbolos e cada categoria se distingue por apresentar uma cor de moldura diferente. Uma excelente alternativa para os professores de AEE trabalhar com alunos TGD.


 Atividade 3: Trabalhar com o aluno noção de cheio e vazio ou quantidade, muito ou pouco

 
 Atividade 4: Jogos construídos com rolinhos de papel higiênicos (sucata) e tampas auxiliam na discriminação visual com comandos ou não. De acordo com à faixa etária, o professor  pode ir aumentando o grau de dificuldade. Estes jogos trabalham o raciocínio, passando gradativamente do concreto para o abstrato. As crianças com TGD poderá organizar o pensamento, assimilando conceitos básicos de cor, forma e tamanho.





Atividade 4 : A Professora irá trabalhar com o aluno  Conceito Matemático,  Tamanho, Linguagem, Grau do Substantivo mostrando as figurinhas do cachorrinho de vários tamanhos e escrevendo o nome em baixo, ela irá pronunciar o nome várias vezes em cada uma das figuras.
 
 

 
Atividades 5 e 6: A professora deve mostrar  para o aluno, figuras de atividades de Rotina da Vida Diária, como: comer,  tomar banho, escovar os dentes, horário das orações com a família etc. Ela pode perguntar para o aluno... quais das atividades ele realizou em casa?


Para o aluno TGD a rotina, significa organização e planejamento. A organização do ambiente e do que irá ocorrer, torna-se uma referência para a sua organização favorecendo a sua auto-regulação. O aluno necessita de estratégias pedagógicas, de modo a ofertar a todas as informações necessárias para a compreensão dos conteúdos. Dessa forma, cria-se a oportunidade para a autonomia e pode-se motivar o sentimento de sucesso.
 

 

Referências:

BEZ, Maria Rosangela; ROCHA, Ingrid Lira. O Passo a Passo do Estudo de Caso para pessoas com Transtorno Global do Desenvolvimento. Adaptado de: GOMES, Adriana Leite Limaverde; CORRÊA, Rosa Maria. Apostila disponibilizada pela Universidade Federal do Ceará ao Curso de Especialização lato-sensu de Formação de Professores para o Atendimento Educacional Especializado – AEE, disciplina – Transtornos Globais do Desenvolvimento. Maio de 2014.


Blogs de TA

Blog Dra. Miryam Pelosi - Tecnologia Assistiva
http://miryampelosi.blogspot.com/
Blog Tecnolologias da Informação e Comunicação na Promoção da Aprendizagem
http://nteassistivas.blogspot.com/
Blog Tecnologias Assistivas na Educação
http://grupo4deftec.blogspot.com/

 

 

domingo, 20 de abril de 2014

Diferenciando a Surdocegueira de Deficiência Múltipla


Eu sempre achei que Surdocegueira e Deficiência Múltipla fosse a mesma coisa, depois de fazer um estudo mais detalhado vi que, na opinião de vários autores, apesar de muita semelhança entre as duas, que cada uma tem sua particularidade.  
SURDOCEGUEIRA: é uma deficiência única em que o indivíduo apresenta ao mesmo tempo perda da visão e da audição. É considerado surdocego a pessoa que apresenta estas duas limitações, independente do grau das perdas auditiva e visual. A surdocegueira pode ser congênita ou adquirida e não é deficiência múltipla. Segundo a autora Shirley(2011),  as pessoas surdocegas estão divididas em quatro categorias: pessoas que eram cegas e se tornaram surdas; que eram surdos e se tornaram cegos; pessoas que se tornaram surdocegos; pessoas que nasceram surdocegos, ou se tornaram surdocegos antes de terem aprendido alguma linguagem.
        Uma pessoa com D.M.U. apresenta mais de uma deficiência, “é uma condição heterogênea que identifica diferentes grupos de pessoas, revelando associações diversas que afetam, mais ou menos intensamente, o funcionamento individual e o relacionamento social”(MEC/SEESP, 2002) As pessoas com deficiência múltipla apresentam características específicas, individuais, singulares e não apresentam necessariamente os mesmos tipos de deficiência, podem apresentar cegueira e deficiência mental; deficiência auditiva e deficiência mental; deficiência auditiva e autismo e outros.
 
            De acordo com Nunes.(2002), as necessidades básicas podem ser agrupadas em três blocos:
Necessidades Físicas e Médicas:
              A mais frequente causa da deficiência múltipla é a Paralisia Cerebral, que compromete a postura e a mobilidade. Os movimentos voluntários são bastante limitados, problemas respiratório, pulmonar, com deglutição difícil, saúde mais frágil com pouca resistência física.
 Necessidades Emocionais:
 Emocionalmente há necessidade de: afeto, atenção, necessidade de interagir com o meio, desenvolver relações sociais efetivos, estabelecer relações de confiança.
Necessidades Educativas:
 Limitações no acesso ao ambiente, dificuldades em dirigir, atenção para estímulos relevantes, dificuldades na interpretação da informação.
As pessoas com surdocegueira e com DMU que não apresenta graves problemas motores precisam aprender a usar as duas mãos. Porém, devem-se disponibilizar recursos para favorecer a evolução da aprendizagem do aluno, visto que ele possui limitações sensoriais (visual e auditiva).
Estratégias utilizadas para a aquisição de comunicação
 Para que aconteça a aquisição de comunicação na criança com deficiências múltiplas é preciso levar em conta o interesse da criança, conhecer realmente a necessidade da criança, saber estabelecer um tempo de espera nas respostas, interagir com outros grupos, melhorar a comunicação não simbólica. Segundo Nunes. (2002), no trabalho com pessoas com deficiência múltiplas é fundamental a colaboração da família e de todos os profissionais que compartilham os mesmos objetivos, todos devem trabalhar para que o aluno se torne o mais independente possível. O professor terá que ampliar o conhecimento do mundo deste aluno podendo proporcionar autonomia e independência. É muito importante a educação postural da pessoa com DMU para que ela possa usar os gestos e movimentos para comunicar-se.  mostrar figuras de animais para que os alunos possam manipulá-las. O professor mostras as figuras para o aluno, imitando os animais para o aluno descobrir qual o animal está sendo mostrado.
 
Para a criança com Surdocegueira precisa da mediação de comunicação para poder receber, interpretar e conhecer o que lhe cerca. Seu conhecimento do mundo se faz através dos usos dos canais sensoriais proximais como: tato, olfato, paladar, cinestésico, proprioceptivo e vestibular.
 
A Surdocegueira é uma deficiência única e especial em que a pessoa necessita de métodos de comunicação especiais, para viver e desempenhar suas funções e ter uma melhor qualidade de vida. É utilizado como estratégia de comunicação o uso de objetos reais onde se estabelece uma comunicação para a criança compreender, e se expressar, deve-se criar uma relação de confiança e segurança criando rotinas diárias e sequêncial. Desenvolver atividades com a utilização de massas de modelagem, castelinho na areia, pisar descalço na areia. São ótimas estratégias para trabalhar o tato dessa criança. 

REFERÊNCIAS 
NUNES, C. Crianças e Jovens com multideficiência e surdocegueira: contributos para o sistema educativo, Ministério da Educação, Portugal, 2002.
AVALIAÇÃO e intervenção em multideficiência. Coleção  Apoios Educativos. Portugal: Ministério da Educação,2004, 217 p
MAIA, S. R.; GIACOMINI, S. R. M. & ARÁOZ, S. M. M. Desenvolvimento da aprendizagem em crianças comdeficiência múltipla sensorial. In: COSTA, Maria da Piedade Resende da (org.).
Múltipla deficiência: Pesquisa &Intervenção. São Carlos: Pedro & João Editores, 2009 (p. 49 - 64).  Coleção; A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar; Ministério da Educação ( MEC )Secretaria de Educação Especial Universidade Federal do Ceará.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

domingo, 16 de março de 2014

Pessoas com Surdez: Educação Especializada e Inclusão.


A problemática das pessoas com surdez e a educação especializada precisa ser compreendida do ponto de vista educacional e também em relação ao preconceito. Fala-se muito em mudanças e melhorias no processo de inclusão, em novas metodologias, mas a discussão sobre o comportamento dos professores e da comunidade também precisa ser levada em consideração. Muitos erros ainda são cometidos pela falta de compreensão da situação desses alunos, o que resulta num falso entendimento das potencialidades desses alunos.

Não podemos falar de atendimento educacional especializado sem falar de planejamento e método. É preciso adequar o ambiente educacional de modo que o aluno com surdez possa desenvolver suas potencialidades plenamente, enquanto ser humano com habilidades, talentos e capacidades. É importante pensarmos em educação especializada desde a infância, proporcionando as pessoas com surdez o direito a educação e o poder de exercer sua cidadania de forma mais plena.

Quando falamos em inclusão significa dar a devida importância para métodos e ações que envolvam todos os alunos da escola comum e que envolva os alunos com surdez. Muito mais que o aprendizado de uma língua, precisamos inserir no nosso entendimento e nos planejamentos educacionais um ambiente estimulante em todos os aspectos para o aluno com surdez, onde haja envolvimento o suficiente para desafiá-los constantemente, buscando sempre um sentido de despertar da capacidade destes alunos. Sempre compreendendo que apenas o uso de uma língua não é sinônimo de bom desempenho escolar nem de aprendizado pedagógico. Incluir significa envolver, permitir a participação, facilitar os processos de aprendizado, e isso só será possível em um ambiente escolar que proporcione isto. A proposta inclusiva para o Atendimento Educacional especializado voltado para as pessoas com surdez, envolve três momentos pedagógicos a serem considerados: O Momento pedagógico em Libras, onde um professor preferencialmente surdo aborda todos os conteúdos curriculares diariamente; O momento pedagógico de Libras, onde o professor irá desenvolver as especificidades da linguagem de sinais, facilitando o aprendizado de termos científicos e aprofundando o conhecimento do aluno nesta língua; e o terceiro momento pedagógico que corresponde ao ensino da língua portuguesa, onde o aluno com surdez aprende os pormenores desta língua baseado em um diagnóstico previamente feito do conhecimento que o aluno possui desta linguagem.

A proposta é um desafio para todos os envolvidos e exige coerência entre o método e sua aplicação. Afinal, estamos lidando com pessoas e suas múltiplas facetas. Tratar o aluno com surdez sem preconceitos e buscando despertar nele próprio suas potencialidades, deve ser o primeiro passo para considerarmos um Atendimento Educacional Especializado verdadeiramente inclusivo.

REFERÊNCIA

DAMÁZIO, Mirlene F. M.; FERREIRA, Josimário de P. Educação Escolar de Pessoas com Surdez - Atendimento Educacional Especializado em Construção. In: Revista Inclusão: R. Educ. esp., Brasília, MEC, v. 5, n. 1, jan/jul. 2010 (p. 46-57).

 

­­­­DAMÁZIO.Mirlene Ferreira Macedo. Educação Escolar de Pessoa com Surdez: uma proposta inclusiva. Campinas: Universidade Estadual de Campinas, 2005. 117 p. Tese de Doutorado.